Relato de Atividade Cultural 3

E. E. Sebastião de Souza Bueno | 2021

 

O terceiro encontro cultural foi realizado nos dias 23 e 24 de Agosto e teve como objetivo criar mais um elemento que estará na exposição final: fotografias para criarmos um painel de lambe-lambe.

Além de conversarmos sobre conceitos da linguagem fotográfica, o encontro proporcionou o contato dos estudantes com um fotógrafo, o Nego Junior. Ao conhecerem nuances do processo de criação deste profissional, eles puderam refletir sobre a sua própria relação com o ato de fotografar e realizaram fotografias se baseando em aspectos técnicos e conceituais que não consideravam em suas produções fotográficas antes.

 

Conceitos do terceiro encontro

 

1. Relação dos alunos com a fotografia.
● Onde ela está presente em seu cotidiano?
● Em que situações você fotografa?
● Onde você encontra fotografias?
● Que recursos você usa para fotografar?

 

2. Fotografia: Diferentes olhares
● Como cada um vê uma mesma foto?
● Como cada um fotografa?
● Repertório visual

 

3. Conversando com um fotógrafo: processo de criação
● Conceitos de fotografia: foco e desfoque, planos, recorte e enquadramento, sobreposições, luz e sombra, texturas.
● Consciência corporal no ato de fotografar: como me posiciono diante do que vou fotografar?

 

4. Fotografia, Lambe e Arte Urbana
● Análise de trabalhos de artistas que usam o Lambe como forma de arte
● Reflexões sobre Arte Urbana e o uso do Espaço Público

 

5. Experimentações fotográficas
● Usar os conceitos na prática: recorrer ao que aprendeu na oficina para fotografar a escola e os robôs

 

Etapas do terceiro encontro

 

Começamos o encontro na sala de leitura com uma conversa sobre a relação dos alunos com a fotografia em seu cotidiano, mapeando as diferentes situações e equipamentos que costumam utilizar.

Muitos disseram fazer fotografias de amigos, familiares e animais em festividades e passeios, assim como as selfies. Praticamente todos utilizam o celular para fazer fotos e apenas alguns disseram possuir máquinas fotográficas. Alguns dos alunos do Ensino Médio demonstraram interesse no universo da fotografia e disseram ter vontade de atuar profissionalmente na área.

Em seguida, fui apresentando imagens previamente selecionadas por mim para fomentar uma discussão sobre conceitos da linguagem da fotografia:

 

 

Escolhi estas diferentes fotografias do Edifício Copan, localizado no centro de São Paulo. E enquanto as mostrava os alunos já iam conversando entre si, se questionando se as imagens eram ou não de um mesmo prédio. Em todos os grupos alguns disseram ser o mesmo o prédio e outros acreditavam que não. Os que perceberam ser o mesmo prédio logo apresentavam argumentos para sua hipótese: era o mesmo prédio fotografado de diferentes ângulos. A partir desta conclusão conversamos sobre as escolhas de cada fotógrafo, como cada um estabeleceu o recorte fotográfico e como eram seus posicionamentos diante do prédio.

 

Passamos então a analisar fotografias feitas por Nego Junior, e convidei os alunos a imaginarem como foi o processo de criação de cada imagem. Junto ao fotógrafo fizemos leituras das imagens pensando em como estava seu corpo diante daquilo que fotografou, o local em que ele estava e quais eram suas intenções para a composição destas fotos.

 

 

Nego Junior foi contando sobre como aconteceu cada fotografia, e a conversa foi suscitando a apresentação de conceitos, como: foco e desfoque, planos, enquadramento, sobreposições, luz e sombra, texturas, além de questões que envolvem o ato de fotografar, como: ter paciência para aguardar a imagem imaginada acontecer para então dar o clique na máquina, ter atenção para encontrar uma fotografia em uma cena que você nem imaginava fotografar, explorar diferentes possibilidades de fotos diante de uma situação, paisagem ou objeto.

E então, em conexão com os robôs inspirados em animais que os alunos costumam montar nos projetos de robótica, Nego Junior lhes mostrou um de seus equipamentos, o Guimbal, uma espécie de estabilizador, que permite que o fotógrafo se movimente sem tremer a câmera, e que foi inspirado em algumas aves, que ao focar o olhar não movem a cabeça de modo algum mesmo que o corpo se mova.

 

 

Citando esta bioinspiração, Nego Junior também lhes mostrou um vídeo demonstrando tal capacidade da galinha (vídeo similar a este: https://www.youtube.com/watch?v=nLwML2PagbY&t=17s) e convidou os alunos a manusearem e experimentarem como é movimentar um Guimbal.

 

 

Ainda na sala de leitura, contei aos alunos que as fotografias que eles farão irão compor um painel composto por lambes. Eles quiseram saber o que é um lambe e mostrei-lhes algumas imagens selecionadas por mim previamente para discutirmos possibilidades de formatos e conceitos:

 

 

Prometi que iríamos aprofundar esta conversa em nosso próximo encontro para conversarmos mais sobre a relação do lambe com a arte urbana e os cuidados que devemos ter ao intervir em um espaço público, que é de uso coletivo.
Em seguida iniciamos o momento de experimentação fotográfica. Propus que os alunos fotografassem com seus celulares considerando a conversa que havíamos tido, trazendo consciência para a composição das imagens.

Livremente, eles começaram a explorar possibilidades na própria sala de leitura, e depois descemos para o pátio. Nos dois espaços, os alunos fotografaram objetos e cenas que já estavam estabelecidos, mas também criaram situações ou composições especificamente para fotografarem.

 

 

Ao final, alguns alunos fotografaram os robôs feitos pelos colegas que estavam na oficina de robótica, pois são estas imagens que pretendemos utilizar para a criação dos lambes.

 

Encerrei o encontro solicitando que os alunos me enviassem as fotos realizadas durante nossa oficina e os convidei a continuar produzindo fotos dos robôs ao final de cada oficina de robótica para que possamos ter várias imagens a escolher para a composição do painel de lambe.

 

Alguns problemas na logística do encontro

 

Havíamos solicitado o uso de uma sala com TVpara mostrarmos imagens aos alunos, por isso utilizamos a sala de leitura, que possui tal recurso e cabem confortavelmente 12 alunos sentados.

Porém, na segunda-feira, dia 23/08, não consegui usar a tv. Levei as imagens em uma apresentação PDF em um pendrive e tinha planejado usar o notebook do projeto com o cabo HDMI (que seria emprestado pelo Paulo, professor de robótica) para apresentá-las, mas a entrada do cabo não era compatível com o notebook, que é mini HDMI. Por isso, usamos apenas o notebook e os alunos ficaram no entorno da máquina para conseguirem enxergar. Apesar das imagens ficarem um pouco pequenas, foi possível realizarmos a atividade.

No dia seguinte, levei também as imagens soltas em JPG e pude conectar o pendrive diretamente na tv, assim os alunos puderam ver as imagens maiores.

Para o momento de fotografar os robôs, combinei com o Paulo que os alunos que estivessem na oficina cultural não entrariam na sala da oficina de robótica, para não atrapalhar o ritmo da aula, e aguardaríamos os robôs ficarem prontos para a equipe que o montou levá-lo até nós. Em algumas turmas essa logística funcionou, mas em outras não, porque o projeto de robótica desta semana era bem desafiador e nem todos conseguiram terminá-lo a tempo. Sendo assim, na última turma de terça, que era mais tranquila, redefinimos isso, e permiti que, de dois em dois, entrassem na oficina de robótica e fotografassem os colegas durante a montagem.

Desta vez, o horário escolar estava diferente, assim como havia bem mais alunos na escola. A nova dinâmica interferiu um pouco mas, no geral, não chegou a atrapalhar. Nos dois dias, nos primeiros horários, os alunos avisaram que precisavam descer para tomar lanche no intervalo (cujo horário acontece bem no meio de nosso encontro), pois não haviam tomado café da manhã (estão chegando 1h mais cedo). Permiti que fossem buscar o lanche, mas na terça-feira haviam muitas pessoas no pátio e isso impediu que prosseguíssemos com a parte de experimentação fotográfica e combinei que fizessem fotos de seus próprios robôs após terminá-los na oficina de robótica.

 

Participação dos grupos

 

Todos os grupos participaram ativamente de todas as etapas do encontro. Alguns grupos estavam mais envolvidos, ficavam empolgados durante a conversa e com suas descobertas, especialmente os alunos mais novos. Já outros, especialmente os alunos mais velhos, faziam considerações pontuais. Durante a experimentação fotográfica todos os grupos apresentaram interesse em fotografar e produziram materiais interessantes, era perceptível o impacto de nossa conversa anterior em seus trabalhos. Alguns chegaram a apontar o conceito que estava explorando em uma foto ou mesmo mostravam suas inspirações no trabalho de Nego Junior.

 

Luciana Nobre
(Coordenadora Pedagógica Cultural)

 

 

ALGUMAS DAS FOTOS FEITAS PELOS ALUNOS